Universidade em foco - 23/07/2004 21:10


AULP
Reunião debate a internacionalização das instituições de ensino


Diego Mattoso / USP Online

 
Foto: Francisco Emolo

A internacionalização do ensino superior foi o tema da reunião “currículos de graduação: tendências e perspectivas de maior unificação”, nesta sexta (23), durante o XIV Encontro da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP), na USP. Os integrantes do evento apresentaram experiências já consolidadas entre instituições universitárias e discutiram propostas de inserção das universidades lusófonas nesse processo.

“A internacionalização é uma realidade que está aí, e nós precisamos entendê-la melhor. Já é uma unanimidade que o processo é necessário para o próprio desenvolvimento dos países”, disse Sonia Penin, pró-reitora de graduação da USP. Ela argumentou que o conhecimento tornou-se globalizado, juntamente com a economia e o trabalho, e que deve haver a inserção global das universidades para que se atue mais eficazmente no plano social local.

Os participantes da reunião apresentaram as atividades de intercâmbio das respectivas instituições de que são membros. Adelberth Adam, representante da Fundação Eduardo dos Santos, de Angola, comentou os recentes acordos fechados entre a fundação e a VUNESP, para o intercâmbio de alunos africanos no Brasil. “É necessário formar novos quadros de profissionais para o desenvolvimento de Angola, principalmente na área tecnológica e em saúde”, afirmou.

Na palestra ministrada pelo membro da Universidade Técnica de Lisboa, Pedro Lourtie, foram apresentadas as tendências do ensino superior na comunidade européia. Segundo ele, a integração entre instituições do continente é um projeto que deve ser consolidado até 2010. Mas o conflito entre iniciativas dessas instituições e as decisões dos governos nacionais é um dos obstáculos para a formação de um espaço comum europeu de ensino. “Um espaço lusófono de ensino superior seria ainda mais difícil de ser implementado, uma vez que as diferenças entre os países de língua portuguesa são grandes na área da educação”, explicou.

Internacionalização da USP

 

Sonia Penin, durante a conferência
Foto: Francisco Emolo

“A USP é internacional desde sua origem, com a participação de pesquisadores estrangeiros e a adoção de diretrizes curriculares internacionais. Mas a internacionalização da universidade se intensificou nos últimos anos”, afirmou o vice-reitor Hélio Nogueira da Cruz. Ele disse também que a USP quer avançar nesse processo na área da graduação, onde os intercâmbios são menos intensos. Mas observa que “a língua é uma grande barreira para atrair alunos de outros países para estudar aqui”.

Segundo a pró-reitora Sonia Penin, a USP busca intercâmbios não só internacionais, mas também com instituições brasileiras. “A contrapartida dessa internacionalização é a nacionalização. É fundamental que os alunos conheçam também o próprio país”, declarou.

Entretanto a escassez de recursos financeiros foi o principal problema apontado por Sonia no processo. “Somente aqueles que tem condições econômicas de estudar no exterior é que participam de intercâmbios. Precisamos dar apoio para que aqueles que não possuem recursos também possam ir, mas não disponibilizamos de dinheiro para isso.”

Ela apresentou os projetos de convênio com outras universidades, sobretudo paulistas. Um deles prevê o intercâmbio com a Unesp e a Unicamp, pelo qual serão cumpridos até 20% dos créditos de disciplinas.

Os professores Antonio Carlos Vieira Coelho (Poli-USP) e Edson Luiz Riccio (FEA-USP) também estavam presentes e falaram das experiências de duplo currículo compartilhadas entre instituições internacionais e as unidades da USP. A reunião foi presidida por José Alberto Ferreira Gomes, da Universidade do Porto (Portugal).

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