Causas de Morte
por André Cezar Medici


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Taxas de mortalidade infantil
Estado nutricional

A maior causa de mortalidade no Brasil é representada pelas doenças do aparelho circulatório. Em 1991 tais doenças respondiam por 29,9% das mortes. Em seguida encontram-se as causas externas (18%), destacando-se os acidentes, particularmente os de trânsito. O terceiro grupo são as chamadas "causas mal definidas" (12,7%), o que demonstra a fragilidade de nosso sistema de informação e denota que um percentual expressivo de mortes no País não é assistido pelo sistema de saúde. A quarta causa de morte são os neoplasmas - os diversos tipos de câncer. Este perfil de mortalidade expressa as transformações nos últimos 30 anos, uma vez que nos anos 60 as doenças infecciosas e parasitárias (hoje, sexto lugar na estrutura de mortalidade) representavam a primeira causa de morte no País. O perfil de mortalidade no Brasil é eminentemente urbano, apesar de refletir a violência social e as fortes desigualdades internas do País.

As diferenças regionais quanto às causas de mortalidade são bastante expressivas no Brasil. Em estados como Acre, Amazonas, Pará, Tocantins e em toda a região Nordeste, causas mal definidas e não declaradas são as mais freqüentes nos atestados de óbito. Em alguns estados do Nordeste, como Maranhão, Paraíba e Sergipe, elas chegam a representar mais de 50% dos óbitos. Provavelmente, estes óbitos estão associados à mortalidade infantil e a doenças infecciosas e parasitárias, ocorridas em localidades onde a oferta de serviços de saúde é incipiente.

As doenças do aparelho circulatório são a primeira causa de óbito em estados como o Amapá, e em todos os Estados das regiões Sudeste, Sul e Centro-oeste. O Amapá caracteriza-se por uma população pequena, concentrada em cidades, ao lado de uma população rarefeita no interior. Os Estados das três regiões citadas apresentam fortes características urbanas e a estrutura de mortalidade de sua população é representada, em geral, pela tríade: doenças cardiovasculares, causas externas e neoplasmas.

A mortalidade em Rondônia e Roraima é provocada, principalmente, pelas causas externas. Nesses Estados muitos conflitos são gerados pelas ocupações e grilagem de terras, pela violência dos garimpos e pelos perigos associados à vida e ao trabalho nas selvas.

Nos Estados do Norte e do Nordeste, as doenças do aparelho circulatório aparecem, em geral, como segunda causa de mortalidade. Já nos do Sudeste, Sul e Centro-oeste são as causas mal definidas, as externas ou neoplasmas.

Uma análise mais detalhada da estrutura de mortalidade, em que pesem as diferenças regionais, mostra que ainda existe uma forte dicotomia em termos de condições regionais. De um lado, o Norte e o Nordeste, subdesenvolvidos, expressam um grande contingente de mortes não assistidas clinicamente. De outro, no Sudeste, Sul e mais recentemente no Centro-oeste, áreas de forte urbanização e maior acesso aos serviços de saúde, a mortalidade é caracterizada pelas doenças crônico-degenerativas e pelas causas externas. Uma terceira frente de mortalidade (de menor magnitude) é expressa pelas áreas de fronteira da região Amazônica, onde predominam as causas externas, decorrentes dos processos de ocupação violenta do território, e o incipiente acesso aos serviços de saúde.