Processo Migratório
por Lídia Antongiovanni


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O processo migratório no Brasil apresenta duas grandes marcas. Com a colonização do país, desde o século XVI vieram para cá europeus e negros africanos. Estes últimos foram trazidos como mão-de-obra escrava, inicialmente para a cultura da cana-de-açúcar. Índios, negros africanos e brancos europeus (na sua maioria portugueses e espanhóis) compuseram a ocupação do Brasil.

Na segunda metade do século XIX, somam-se dois processos, que resultam num rearranjo daquele momento inicial: a expansão da fronteira econômica e um processo gradativo de abolição da escravidão. Ambos convergiam para a decisão dos colonizadores em ampliar a participação de brancos europeus na formação da população brasileira. Este quadro propiciou a vinda de outros europeus - italianos, alemães, austríacos, húngaros, eslavos, sírios, libaneses, suíços - que, mais tarde, se juntam aos asiáticos.

A segunda grande marca da migração brasileira é resultado da integração e modernização do território e da ampliação das trocas comerciais e do consumo, marcadamente a partir da década de 1950. Intensifica-se, a partir deste momento, a urbanização e a correlata migração interna. O Brasil, até então um país agrícola, vai conhecer neste período uma acentuação do êxodo rural, levando à inversão dos números correspondentes à localização da população, de maioria rural, em 1940, para maioria urbana, em 1970.

A industrialização, associada à urbanização mais intensa no Sudeste, acelera esse processo e atrai milhares de pessoas do Nordeste para o Centro-sul, em especial nas décadas de 60 e 70. É neste período que se inicia o processo de metropolização,com os anos 60 marcando um significativo ponto de inflexão. Na década de 70, a expansão de novas fronteiras agrícolas e econômicas na região Norte leva ao deslocamento de milhões de pessoas para o Centro-oeste e para a Amazônia, para onde migram nordestinos e mais recentemente os sulistas.

Na década de 90 é detectado um processo de desmetropolização associado ao êxodo urbano, isto é, movimento numeroso de população entre cidades de diversos tamanhos e diversas regiões. A difusão da modernização no interior propicia uma migração para as cidades menores. A região metropolitana de São Paulo, por exemplo, apresenta de 1980 a 1991 um crescimento vegetativo de 109,71% e um saldo migratório de -9,71%. Trata-se, para a última década, de um salto migratório negativo para a Região Metropolitana de São Paulo.

Um fato novo na história da migração brasileira, especialmente nos últimos anos, é a saída crescente de brasileiros para a Europa, América do Norte e Japão. Migração essa geralmente associada a descendentes dos imigrantes que aqui chegaram na passagem do século.


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