Lina Bo Bardi
por Adélia Borges
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Inconformada com os móveis que encontrou ao chegar ao Brasil, a italiana Lina Bo Bardi (1915-1992) decidiu desenhar o mobiliário para seus projetos. Para produzi-los em série, fundou, junto com Giancarlo Palanti, o Studio de Arte Palma. "O ponto de partida foi a simplicidade estrutural, aproveitando-se a extraordinária beleza das veias e da tinta das madeiras brasileiras, assim como seu grau de resistência e de capacidade", disse ela na revista Habitat. O Studio funcionou por dois anos, de 1948 a 1950. Para ela, "o móvel também tem sua moralidade e razão de ser na sua própria época. A cópia dos estilos passados, os babados, as franjas, são índices de mentalidades incoerentes, fora da moralidade da vida."

Exemplos de sua produção são a poltrona Bowl, de 1951, com um desenho simples e absolutamente inovador, que mereceu uma capa premiada na revista norte-americana Interiors, em 1953, e até hoje permanece atual; o mobiliário do Masp, tanto na Rua 7 de Abril quanto na Avenida Paulista (incluindo sistema expositivo); e os polêmicos bancos do teatro do Sesc Pompéia, em São Paulo.

Lina pesquisou intensamente a cultura popular brasileira e buscou nela inspiração para seu trabalho. Sua cadeira Tripé, de 1948, por exemplo, nasceu da rede, que considerava "um dos mais perfeitos instrumentos de repouso", por sua aderência perfeita à forma do corpo. Na foto, a cadeira Frei Egídio, que projetou em conjunto com os arquitetos Marcelo Ferraz e Marcelo Suzuki. O desenho deriva da cadeira franciscana do século XV. A construção foi simplificada e reduziram-se os elementos estruturais a apenas três peças. Assim, a cadeira pesa apenas 4 kg; dobrável, tem fácil transporte e armazenamento.


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